JÜRGEN HABERMAS E A DEMOCRATIZAÇÃO DA POLÍTICA MUNDIAL


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André Saramago

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Professor Auxiliar Convidado de Relações Internacionais na Universidade de Coimbra e na Universidade da Beira Interior (Portugal). É igualmente investigador e assistente de ensino on-line na DiploFoundation, Universidade de Malta, e investigador associado no Instituto do Oriente. É doutorado em Política Internacional pela Universidade de Aberystwyth. As suas áreas de especialização incluem Teoria das Relações Internacionais, incidindo em estudos sobre Teoria Internacional Crítica, assim como Sociologia Histórica e Estudos sobre a Ásia Oriental. Entre os seus trabalhos mais recentes, destacam-se a edição de Climate Change, Moral Panics and Civilization, da autoria de Amanda Rohloff e publicado pela Routledge, e ‘Singapore’s use of education as a soft power tool in Arctic cooperation’, em coautoria com Danita Burke e publicado.

 

Resumo


Este artigo examina as ideias de Jürgen Habermas sobre o dilema colocado pela interdependência global humana à possibilidade de políticas democráticas. De acordo com Habermas, desde a Segunda Guerra Mundial, e parte de um processo que se tornou mais difundido desde o fim da Guerra Fria, as sociedades humanas têm vindo a integrar redes de interdependência política, social e económica cada vez mais complexas que acabaram por afetar a capacidade dos públicos democráticos de base estatal de exercer algum grau de influência sobre as suas condições de existência. A partir de uma perspetiva crítica da teoria internacional, o argumento de Habermas destaca o desafio contemporâneo fundamental enfrentado pelas ciências sociais em geral e pelas Relações Internacionais (RI) em particular. A partir dessa perspetiva, a função fundamental das RI não é apenas explicar a política mundial, mas também orientar a prática social e política para um aumento do controlo democrático sobre a mesma. O objetivo deste artigo é demonstrar como o trabalho de Habermas constitui uma contribuição fundamental para melhorar o papel crítico orientador das RI. O artigo articula os escritos políticos mais recentes de Habermas sobre a União Europeia (UE) e a Organização das Nações Unidas (ONU) com o seu trabalho anterior sobre o desenvolvimento de uma teoria da evolução social. Ao fazê-lo, mostra como o trabalho de Habermas pode constituir a base para, por um lado, uma abordagem ao estudo da política mundial que revela como o atual dilema entre a complexidade global e a democracia passou a ser a característica definidora do presente estágio de desenvolvimento humano, e, por outro lado, descobrir o potencial imanente reunido pela modernidade para uma expansão radical da democracia ao nível da política mundial.



Palavras-chave


Relações Internacionais; Teoria Internacional Crítica; Democracia; Poder; Capitalismo; União Europeia



Como citar este artigo


Saramago, André (2019). "Jürgen Habermas e a democratização da política mundial". JANUS.NET e-journal of International Relations, Vol. 10, N.º 1, Maio-Outubro 2019. Consultado [online] em data da última consulta, https://doi.org/10.26619/1647-7251.10.1.2



Artigo recebido em 15 de Dezembro de 2018 e aceite para publicação em 26 de Fevereiro de 2019